
Bom dia.
Essa é a primeira carta do Avesso. Se você está lendo isso, é porque assinou nas últimas semanas, ou minutos, ou porque está aqui desde o começo. De qualquer forma, obrigado por estar.
Eu vou usar essa primeira carta para te contar duas coisas. Por que essa newsletter existe, e o que ela vai, e não vai, ser daqui em diante.
Eu sou designer há sete anos, com experiência em branding e marca pessoal. Mas a minha história com isso começou antes da faculdade. Em 2015, com 19 anos, eu comecei um projeto com a minha irmã, construí a marca pessoal dela do zero, posicionei ela como influenciadora no Brasil, cuidei da imagem dela por quase dez anos. Foi ali, na prática, com pele em jogo todos os dias, que eu aprendi como uma presença pública se constrói.
Depois disso, bem resumidamente, a minha vida deu muitas voltas. Burnout, ruptura, casamento, mudança de país. Hoje eu moro em Marseille, casado, recomeçando uma vida adulta dentro de outra cultura.
E foi recomeçando aqui que eu descobri uma coisa que me deu trabalho admitir.
Eu sei construir a imagem dos outros. Mas tenho pânico de construir a minha.
Eu passei anos sabendo exatamente como posicionar outras pessoas nos projetos delas. E quando chegou a minha vez de aparecer, eu travei. Existe uma distância enorme entre fazer isso pelos outros e fazer por si, e eu, que era bom na primeira parte, sempre tive medo da segunda.
O canal e essa newsletter são, antes de tudo, eu enfrentando esse medo. Em tempo real.
Quando eu estava no momento mais difícil dessa fase, eu procurei alguém em quem me espelhar. Um designer mais velho. Um brasileiro morando fora há mais tempo. Alguém com ofício, com lastro, que tivesse passado por esse tipo de fricção e que fosse do setor criativo. Eu não achei. Tem muita gente boa ensinando dicas e técnicas, mas raramente alguém mostrando o processo interno: o medo, a dúvida, a reconstrução, tudo isso com honestidade.
Esse é o lugar que O Avesso quer ocupar.
Sobre o que vai ser: cartas curtas, toda terça-feira de manhã. Algumas sobre branding, marca pessoal e posicionamento, que é o meu campo técnico, sem fórmula e sem hack. Outras sobre design e estética sob uma ótica europeia, porque eu estou imerso numa cultura visual diferente da brasileira e quero ser ponte. E outras sobre o que ninguém separa do trabalho criativo mas que afeta tudo: o medo de se expor, o vazio entre projetos, a vida de quem cria sozinho.
Por agora, isso aqui é uma conversa entre alguém que tem ofício e está se reconstruindo em tempo real e alguém que provavelmente está em algum tipo de recomeço parecido.
Sobre o que não vai ser: não vai ser um boletim de novidades. Não vai ter listicle. Não vai ter promessa de transformação. Não vai ter dica de produtividade. Uma carta, uma terça. Sem pressa.
E pra fechar, um pedido. Se essa primeira carta te tocar em algum lugar, me responde. Conta para mim quem você é, em que momento está, o que te fez assinar. Eu leio tudo. Responder não é obrigatório, mas é o jeito mais rápido de fazer essa newsletter virar conversa em vez de monólogo. E é exatamente isso que eu quero construir aqui.
A próxima carta chega terça que vem.
Até lá.
Jhonathan